Por: Dr. Leonardo Quicoli, médico cardiologista 

A sensação de dor torácica sempre foi sinônimo de pânico exacerbado e alerta. Em geral, qualquer mínima sensação de dor no peito, principalmente do lado esquerdo, gera pavor nas pessoas e provoca verdadeiras aglomerações no consultório e pronto-socorro cardiológicos.

No entanto, a sensação de dor no peito nem sempre representa um infarto do coração. Há outros diagnósticos que podem ser atribuídos a uma dor no peito e, para isso, precisamos entender algumas particularidades e detalhes clínicos, para fazer as adequadas diferenciações.

Foto: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dor torácica é uma dor opressiva, de intensidade muito forte, duração prolongada, com irradiação para o braço esquerdo. 

 

Assim, há a importância de elencar as principais causas de dor no peito, com algumas peculiaridades, diferenças clínicas entre si e possíveis estratégias de tratamento. Vamos começar pela mais temida que seria exatamente o infarto do coração:

  • Infarto do coração

A dor torácica é uma dor opressiva, de intensidade muito forte, com duração mais prolongada (acima de 30 minutos), irradiação para o braço esquerdo, podendo estar associada com sudorese fria, náuseas e vômitos. Esta dor não melhora com alimentação, uso de antiácidos para o estômago e nem fazendo alongamentos com os braços.

A conduta seria ir imediatamente ao pronto-socorro e, durante o trajeto, recomenda-se ingerir de um a dois comprimidos de aspirina, que pode auxiliar o fluxo sanguíneo na artéria entupida. Já no hospital, a ideia é realizar cateterismo cardíaco para dilatar o segmento arterial que está obstruído.

  • Esofagite

O refluxo gastroesofágico é um problema digestivo que muitas pessoas convivem. Neste caso, o conteúdo ácido do estômago regurgita para o esôfago, que se localiza no meio do nosso tórax.

Assim, ocorre inflamação importante do esôfago – a esofagite -, sendo a manifestação principal uma sensação de dor em queimação. Esta dor pode ser aliviada com a correção de hábitos alimentares e o tratamento se faz com medicamentos que diminuem esta intensa acidez.

  • Mialgia/Costocondrite

Nosso tórax é composto de músculos, ossos, costelas e cartilagens. A realização repetida de esforço físico, como carregar peso e postura inadequada ao sentar ou deitar, pode acarretar um processo inflamatório e surgir uma dor no peito muito incômoda, associada aos movimentos respiratórios e também a qualquer movimento dos braços. O tratamento inclui correção da postura, anti-inflamatórios e relaxantes musculares.

 

Sensação de dor no peito nem sempre representa um infarto do coração. 

 

  • Ansiedade

Ansiedade gera dor no peito? E como gera! Basta estar vivendo os fatídicos anos de 2020/2021 e a pandemia da Covid-19, com seus desdobramentos financeiros e emocionais tremendamente importantes na vida das pessoas. Como não ter dor no peito, sabendo que a doença se espalhou pelo mundo todo, os problemas financeiros se agravaram e as perspectivas de uma vacinação adequada ainda estão indeterminadas?

Esta carga emocional pode ser percebida nas pessoas com queixa de dor no peito, de forma constante ou intermitente, sem associação com esofagite, infarto ou esforços físicos. A dor no peito causada pela ansiedade é tratada com psicoterapia, ansiolíticos, antidepressivos e anti-inflamatórios. E somente o tempo poderá trazer de volta o ânimo e a motivação para as pessoas.

Dor no peito causada pelo infarto do coração é a mais temida. Porém, a dor no peito, como produto de uma ansiedade e pânico generalizados, ganhou destaque e merece muita atenção das pessoas e dos próprios médicos.

Sempre procure seu médico! Ele saberá qual a melhor medida terapêutica a ser adotada.