A série de sucesso “Desaparecidos” do canal A&E estreia sua segunda temporada no dia 25 de outubro e traz 26 novos casos de pessoas desaparecidas. A cada episódio serão exibidos dois casos de pessoas que desapareceram sem deixar rastros e a luta dos familiares que nunca perderam a esperança de encontrar seus entes queridos.

Anderson Jesus, diretor da produtora Iracema Rosa Filmes e responsável pela produção da série Desaparecidos, revela em entrevista exclusiva ao Portal Ego, detalhes do processo de produção e as novidades da nova temporada.

P.E: Geralmente, quais são os primeiros passos dados pela produção para localizar uma pessoa desaparecida? Quais órgãos, instituições, profissionais são consultados e são importantes no processo?

A.J: Geralmente começamos pelas ONGs como Mães da Sé, Instituto Ímpar, Mães em Luta, SOS Desaparecidos de Santa Catarina, ou mesmo a delegacia de pessoas desaparecidas do DHPP. Esses órgãos são muito importantes no processo, pois as famílias cadastradas já passaram por um processo prévio de triagem, estão sempre dispostos a falar e alimentam muitas esperanças de reencontrar o familiar, quando este ainda se encontra desaparecido. Quando a pessoa já foi encontrada, como acontece em metade dos casos, as famílias são gratas às ONGs e é mais uma oportunidade de agradecer, além de levarem mais esperança às outras famílias.

 

P.E: Existem diferenças relevantes quanto ao processo de investigação e localização de pessoas em termos de gênero e idade?

A.J: Sim. Infelizmente, quando são crianças que estão desaparecidas, a tendência é que tenham sido raptadas para serem vendidas para famílias de outros países, com disfarce de adoção legal. Esses casos são os mais difíceis de se trabalhar, pois a criança ganha outra identidade e atravessa a fronteira. Quando se trata do gênero, no caso meninas adolescentes, geralmente desaparecem porque fugiram com algum namorado ou também são traficadas, mas para serem exploradas sexualmente em outros países ou mesmo aqui no Brasil, ficando absolutamente incomunicáveis. Casos de desaparecimentos de homens e rapazes geralmente estão ligados com alcoolismo, envolvimento com drogas ou assassinato. Casos de desaparecimento de idosos, geralmente estão ligados a Alzheimer ou simples confusão mental em decorrência da idade. Cada caso de desaparecimento tem uma característica diferente o que leva a investigação para caminhos distintos, dependendo dos fatores, dos padrões apresentados naquele caso.

 

P.E: Durante a produção desta segunda temporada, que incluiu viagens internacionais na busca de desaparecidos, vocês tiveram muitos contratempos? Se possível, relatar algum.

A.J: Tivemos alguns contratempos. Eu mesmo tive problemas sérios com a altitude de Cusco, no Perú, para fazer os caminhos do Arthur Pascoali, um rapaz brasileiro que foi se aventurar em terras peruanas. Tivemos alguns contratempos também em Israel, na cidade de Tel Aviv, onde reunimos um grupo de brasileiros que foram adotados por famílias israelenses nos anos 80. Os problemas se deram, pois, algumas mães adotivas não queriam que eles gravassem conosco, sendo que os filhos faziam questão de gravar, pois pretendiam encontrar suas famílias brasileiras. Muitos deles descobriram agora, adultos, que na verdade suas documentações são todas falsas. Provavelmente foram traficados. Algumas dessas mães adotivas ficaram malucas e algumas eram agressivas e chegaram a nos ameaçar, caso gravássemos com os filhos delas.

 

P.E: Todas as pessoas localizadas aceitam reencontrar sua família biológica?

A.J: Infelizmente nem todas. Lá mesmo em Israel estima-se que há em torno de 5 mil brasileiros, a maioria adotada ilegalmente, e nem todos pretendem encontrar suas famílias biológicas. Há casos de pessoas que até reencontram a família, mas não se aproximam tanto quanto a família esperava. É até compreensível, alguns ficam 30 anos desaparecidos.

 

P.E: O que se pode esperar da nova temporada? Qual o caso mais emocionante?

A.J: Todos os casos são muito emocionantes. Mas, nesta temporada, não poupamos esforços para ir um pouco mais a fundo. Casos muito impactantes chegaram até nós, solucionados ou não, com a ajuda das ONGs. Procuramos representar todas as histórias com o máximo de detalhes possível, durante quase um ano de produção. Usamos mais de 300 atores e figurantes para dramatizar as histórias, além de contar com uma equipe ainda maior de produção, se comparamos com a primeira temporada. Agora estávamos mais seguros do que faríamos e tivemos muito mais apoio e suporte. Já havia uma confiança maior por parte de todos, pois perceberam, com base na primeira temporada, que se trata de um programa de muito bom gosto, que as histórias são retiradas e contadas com muito cuidado, respeito e carinho. Trata-se de um serviço de utilidade pública, não só dar voz à essas famílias, mas dar cara aos desaparecidos do Brasil, tão esquecidos pelo poder público.

 

P.E: A terceira temporada já está em produção? O que pode adiantar?

A.J: Sim, já iniciamos o processo de produção da terceira temporada. A única coisa que posso adiantar é que será ainda mais impactante e bem diferente da primeira e segunda. Adianto também que deixaremos ainda mais exposta uma ferida aberta nos anos 80 e que traz muito sofrimento às famílias até hoje.

Sobre a série “Desaparecidos”

Isabella hoje tem mais de 30 anos e está de volta ao Brasil, se adaptando à verdadeira família. Levada a Israel ainda bebê por uma rede de tráfico internacional de crianças, viveu na França desde 1987, quando foi adotada de forma ilegal. Este é um dos casos com final feliz que serão apresentados na segunda temporada de Desaparecidos, que estreia no A&E no dia 25 de outubro.

Assim como na temporada anterior, a série traz em cada episódio dois casos de pessoas que sumiram sem deixar rastro. Depoimentos de policiais, investigadores, amigos e parentes dos desaparecidos, além de dramatização, mostram a luta dos familiares que nunca perdem a esperança de encontrar seus entes queridos. No final do programa, o telespectador saberá qual deles foi solucionado e quem foi encontrado. Além disso, é divulgado um telefone de contato, para que os telespectadores deem informações e possam colaborar para solucionar o caso que ainda está em aberto.

Produzida em parceria com a Iracema Rosa Filmes, Desaparecidos é uma série de grande sucesso e conquistou a maior audiência do canal. “É uma produção do bem, com um papel social, que tenta ajudar a resolver os casos ainda não solucionados. Ao apresentar histórias em que a pessoa é encontrada depois de mais de 30 anos, por exemplo, a série oferece um pouco de esperança também”, conta Krishna Mahon, diretora de Conteúdo Original do A&E.

Durante a produção desta segunda temporada, que levou aproximadamente um ano e incluiu viagens internacionais, descobriu-se a existência de mais de três mil casos de crianças brasileiras levadas a Israel por uma rede de tráfico de bebês na década de 1980. O tema deu origem a uma terceira temporada especial, dedicada somente aos casos de brasileiros levados para esse país.

Entre os outros casos da nova leva de inéditos, há a história de Sílvio. Natural de Santos – SP e desaparecido há quatro anos, foi localizado no Espirito Santo, graças a uma foto colocada em um caminhão, como parte da ação social de uma transportadora. A segunda temporada traz ainda casos como o de um bebê raptado na maternidade e o de um rapaz carioca, desaparecido desde 1986, e localizado no ano passado, em Minas Gerais.

Segundo Anderson Jesus, diretor de Desaparecidos, o grande diferencial da nova temporada são os casos internacionais (Israel, Peru e França, entre eles) envolvendo brasileiros. Além disso, desta vez, a série mostra os casos também pela perspectiva das pessoas que procuram suas famílias. “São muitos casos fortes e impactantes, como o da Isabella, por exemplo, que a produção viabilizou o teste de DNA e o reencontro dela com a família no Brasil. Outros casos são mais comuns e envolvem pessoas com problemas mentais ou uso de drogas”, completa.

No episódio de estreia, Douglas e Lilian, Douglas, um adolescente muito querido e que amava os cavalos. O rapaz viajou rumo a casa do pai em outra cidade, mas não chegou ao seu destino. Lilian, uma menina que foi entregue para adoção logo após o parto. Profundamente arrependida, a mãe tenta corrigir seu erro, mas poderia ser tarde demais.

Em seguida, em Antônio e José Roberto, Antônio, um homem com sérios problemas psiquiátricos. Em busca de apoio e tratamento, a família o enviou para uma clínica. Ao contrário do que esperavam, esse era o começo de um pesadelo. José Roberto, um rapaz que carregava uma séria doença: a esquizofrenia. Em um descuido da família, ele desapareceu sem deixar rastros.

 

Fotos: Reprodução/Internet